domingo, 29 de novembro de 2009
domingo, 22 de novembro de 2009
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Soneto de separação
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinicius de Moraes,
in Poemas, sonetos e baladas
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
Vinicius de Moraes,
in Poemas, sonetos e baladas
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Pleasure and Boredom in Conversation
We do not feel any lively and lasting pleasure in conversation, except in so far as we are allowed to talk about ourselves, and of the things which occupy us, or which relate to us in some way. Any other talk soon starts to bore us, and whatever pleases us is deadly boring to the listener. No one is regarded as amiable except at the price of suffering, because in conversation only he is amiable who gratifies others amour propre, first by listening a lot and staying silent a lot, something which is usually very tedious, then by letting others talk about themselves and their own affairs for as long as they wish, in fact encouraging them in such dissertations, and by himself talking about such things. The result is that they go away very pleased with themselves, and he goes away dreadfully bored by them. Because, in short, if the best companions are those from whom we go away more pleased with ourselves, it more or less follows that they are those whom we leave more bored. The conclusion must be that in conversations and in any discussion where the intention is only to amuse ourselves by talking, almost inevitably some people's pleasure is other people's boredom, and one can hope for nothing but to be either bored or or to displease, and one is very fortunate if one is able to have equal experience of both.
Giacomo Leopardi, in 'Thoughts'
We do not feel any lively and lasting pleasure in conversation, except in so far as we are allowed to talk about ourselves, and of the things which occupy us, or which relate to us in some way. Any other talk soon starts to bore us, and whatever pleases us is deadly boring to the listener. No one is regarded as amiable except at the price of suffering, because in conversation only he is amiable who gratifies others amour propre, first by listening a lot and staying silent a lot, something which is usually very tedious, then by letting others talk about themselves and their own affairs for as long as they wish, in fact encouraging them in such dissertations, and by himself talking about such things. The result is that they go away very pleased with themselves, and he goes away dreadfully bored by them. Because, in short, if the best companions are those from whom we go away more pleased with ourselves, it more or less follows that they are those whom we leave more bored. The conclusion must be that in conversations and in any discussion where the intention is only to amuse ourselves by talking, almost inevitably some people's pleasure is other people's boredom, and one can hope for nothing but to be either bored or or to displease, and one is very fortunate if one is able to have equal experience of both.
Giacomo Leopardi, in 'Thoughts'
domingo, 15 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
domingo, 8 de novembro de 2009
Letra para um hino
É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.
É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.
Manuel Alegre
É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.
É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.
É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.
Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.
Manuel Alegre
terça-feira, 3 de novembro de 2009
"Ao pôr em funcionamento o vigente espectáculo universal que concentra e ao mesmo tempo dispersa as atenções do mundo, não parece que hájamos previsto que iríamos dar nascimento a uma sociedade de exibicionistas. A divisão entre actores e espectadores acabou, o espectador vai para ver e ouvir, mas também para ser visto e ouvido. O poder da televisão, por exemplo, alimenta-se em grande parte desta simbiose malsã, mormente nos chamados reality shows, onde o convidado, para isso pago e às vezes regiamente, vai pôr a descoberto as misérias da sua vida, as traições e as vilezas, as canalhices próprias e alheias, e, se necessário fôr ao espectáculo, as da família e dos seus próximos. Sem discrição nem reserva, sem recato nem pudor, sem modéstia. Não faltará quem diga que ainda bem que é assim, que devemos abandonar aquele ferro-velho vocabular, portas abertas ainda que a casa cheire mal, alguns, não duvidemos, irão mesmo ao extremo de afirmar que se trata de um benéfico efeito da democracia. Dizer tudo, com a condição de que o essencial fique escondido. Sem vergonha."
José Saramago,
in O Caderno de Saramago
José Saramago,
in O Caderno de Saramago
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