"(...) Começou quando eu ainda não tinha dezasseis anos. Ainda andava no liceu, e o meu irmão mais velho no primeiro ano da faculdade. Eu ainda não conhecia as mulheres mas, como todas as desgraçadas crianças do nosso meio, já não era um rapaz inocente: ia já no segundo ano em que tinha sido pervertido por outros garotos; a mulher já me atormentava, não uma mulher concreta, mas a mulher em geral, como coisa deliciosa, uma mulher qualquer, a nudez da mulher. As minhas privacidades eram impuras. Sofria como sofrem noventa e nove por cento dos rapazes. Aterrorizava-me, sofria, rezava e caía em tentação. Na minha imaginação e na realidade já estava depravado, mas ainda não tinha dado o primeiro passo. Caía sozinho na perdição, ainda não deitava a garra a outro ser humano. Houve porém um colega do meu irmão, estudante universitário, brincalhão, dito «bom rapaz», ou seja, o pior dos velhacos, que nos ensinou a beber e a jogar às cartas, e nos convenceu, depois de uma bebedeira, a que fôssemos lá. Fomos. O meu irmão também era ainda casto e perdeu a inocência naquela noite. E eu, rapaz de quinze anos, também me profanei e contribuí para a profanação de uma mulher, sem compreender absolutamente nada do significado do que fizera. É que nunca tinha ouvido da boca de nenhum adulto que aquilo era mau. (...)
Pelo contrário, as pessoas que eu respeitava diziam-me que era bom. Ouvia deles que a minha luta e os meus sofrimentos se aliviariam depois daquilo, ouvia isso e lia-o, ouvia os adultos a dizerem que aquilo seria bom para a minha saúde; quanto aos meus companheiros, ouvia-os dizer que havia naquilo um certo mérito, um sinal de virilidade. Portanto, nada se via naquilo que não fosse benéfico. (...)
(...) não perdi a inocência por ter cedido à sedução natural de uma certa mulher. Não, não me seduziu mulher nenhuma, apenas caí porque o meio que me rodeava via naquela queda ou um acto legal e benéfico para a saúde, na opinião de alguns, ou o mais natural divertimento de um jovem, não só perdoável mas até inocente. Eu nem sequer me apercebia de que havia ali uma queda, e comecei simplesmente a entregar-me àquela coisa que é em parte prazer, em parte necessidade, como me foi sugerido, numa determinada idade; comecei a entregar-me então a essa depravação, tal como comecei a beber e a fumar. Mesmo assim, naquela primeira queda havia algo de especial e comovedor. Lembro-me de que, logo a seguir, naquele mesmo quarto, senti uma grande tristeza, tão grande que me apetecia chorar, chorar a minha inocência perdida, a minha atitude para com a mulher irreparavelmente estragada. Pois é, a minha atitude natural e simples para com a mulher foi destruída para sempre. Desde então, essa minha atitude só podia ser desprovida de qualquer pureza. Tornei-me no que se chama um devasso. Ora, ser devasso é um estado físico, semelhante ao do morfinómano, do alcoólico, do fumador. Tal como o morfinómano, o alcoólico e o fumador não são pessoas normais, um homem que conheceu sexualmente várias mulheres para seu prazer deixa de ser normal para se tornar um homem estragado para sempre, o devasso. (...) O devasso pode abster-se, pode lutar; mas jamais terá uma atitude simples, clara, pura... fraterna para com as mulheres. É possível reconhecer o devasso pela maneira como olha para uma jovem, como a examina. Também me tornei devasso e fiquei assim para sempre, e foi isso que me levou à perdição."
"(...) A cidade é melhor para as pessoas infelizes. Na cidade, uma pessoa pode viver cem anos e não reparar que já morreu há muito e apodreceu. Não temos tempo de pensar em nós, estamos totalmente ocupados. Negócios, relações públicas, saúde, artes, saúde e educação das crianças, receber as visitas destes e daqueles, visitar outros, é preciso ver a actriz tal, ouvir o cantor ou a cantora tal. (...) e no entanto a vida é vazia, vazia."
Lev Tolstói,
in A Sonata de Kreutzer
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Childhood is not from birth to a certain age and at a certain age
The child is grown, and puts away childish things.
Childhood is the kingdom where nobody dies.
Edna St. Vincent Millay
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"I’m sorry, but I don’t want to be an emperor. That’s not my business. I don’t want to rule or conquer anyone. I should like to help everyone – if possible – Jew, Gentile – black man – white. We all want to help one another. Human beings are like that. We want to live by each other’s happiness – not by each other’s misery. We don’t want to hate and despise one another. In this world there is room for everyone. And the good earth is rich and can provide for everyone. The way of life can be free and beautiful, but we have lost the way.
Greed has poisoned men’s souls, has barricaded the world with hate, has goose-stepped us into misery and bloodshed. We have developed speed, but we have shut ourselves in. Machinery that gives abundance has left us in want. Our knowledge has made us cynical. Our cleverness, hard and unkind. We think too much and feel too little. More than machinery we need humanity. More than cleverness we need kindness and gentleness. Without these qualities, life will be violent and all will be lost...
The aeroplane and the radio have brought us closer together. The very nature of these inventions cries out for the goodness in men – cries out for universal brotherhood – for the unity of us all. Even now my voice is reaching millions throughout the world – millions of despairing men, women, and little children – victims of a system that makes men torture and imprison innocent people.
To those who can hear me, I say – do not despair. The misery that is now upon us is but the passing of greed – the bitterness of men who fear the way of human progress. The hate of men will pass, and dictators die, and the power they took from the people will return to the people. And so long as men die, liberty will never perish. (...)
Soldiers! don’t give yourselves to brutes – men who despise you – enslave you – who regiment your lives – tell you what to do – what to think and what to feel! Who drill you – diet you – treat you like cattle, use you as cannon fodder. Don’t give yourselves to these unnatural men – machine men with machine minds and machine hearts! You are not machines! You are not cattle! You are men! You have the love of humanity in your hearts! You don’t hate! Only the unloved hate – the unloved and the unnatural! Soldiers! Don’t fight for slavery! Fight for liberty!
(...) You, the people have the power – the power to create machines. The power to create happiness! You, the people, have the power to make this life free and beautiful, to make this life a wonderful adventure.
Then – in the name of democracy – let us use that power – let us all unite. Let us fight for a new world – a decent world that will give men a chance to work – that will give youth a future and old age a security. By the promise of these things, brutes have risen to power. But they lie! They do not fulfil that promise. They never will!
Dictators free themselves but they enslave the people! Now let us fight to fulfil that promise! Let us fight to free the world – to do away with national barriers – to do away with greed, with hate and intolerance. Let us fight for a world of reason, a world where science and progress will lead to all men’s happiness. Soldiers! in the name of democracy, let us all unite!"
Charles Chaplin
(discurso proferido no filme The Great Dictator)
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"The inherent vice of capitalism is the unequal sharing of blessings; the inherent virtue of socialism is the equal sharing of miseries. "
Winston Churchill
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nobody, not even the rain, has such small hands
somewhere i have never traveled, gladly beyond
any experience, your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near
your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully, mysteriously) her first rose
or if your wish be to close me, i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;
nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the colour of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens;only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody, not even the rain, has such small hands
e.e.cummings
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"(...) No caminho para casa tropecei num homem dormindo no passeio. Numa mão segurava uma corda comprida. Mais perto vi que tinha os olhos abertos. Estaria possivelmente bêbado? Ou carecia de ajuda, doente de nem poder chegar ao corpo? Não parei. (...) Prossegui caminho, vagaroso como o calor quente que fazia. Chegado a casa, fui à janela de meu quartinho para atentar no corpo do homem em que antes tropeçara. Lá estava deitado, em comprida sesta sobre o passeio. Me decidi a voltar lá, levar um naco de água ao desgraçado. Já saía quando um dos sobrinhos de Assane me travou o gesto:
- Esse homem está morto, tio.
Espreitei o corpo na distância. Realmente, o homem estava escurecido, dessa cor estagnada dos machongos. E a corda, parada em sua mão, o que seria? O mesmo miúdo me contou: o homem estava a fazer uma corda para se enforcar. Dia e noite enrolava o sisal sem nunca terminar a obra. Já o inutensílio tinha o comprimento de uma porção de metros. Não chegou a usar, não se pendurou. Faleceu assim mesmo, razões de dentro. A morte, afinal, é uma corda que nos amarra as veias. O nó está lá desde que nascemos. O tempo vai esticando as pontas da corda, nos estancando pouco a pouco.
O morto ali ficou, na berma da estrada todo o dia. Na manhã seguinte ainda estava no mesmo lugar, louvado pela moscaria. Vendo bem, o cadáver descuidado no passeio não descondizia com tudo resto. Simbolizava aquilo que a vila se tinha tornado: uma imensa casa mortuária. Ao meio-dia um grupo de soldados veio remover o corpo. Arrastou-lhe pelos pés, ao longo da estrada. Aquele era o funeral que cabia ao anónimo desvalido: poeirando pela rua, as moscas zunzinando, contratadas carpideiras dos ninguéns."
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"O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro."
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Mia Couto,
in Terra Sonâmbula
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"One of the keys to happiness is a bad memory. "
Rita Mae Brown
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It is a sad fate for a man to die too well known to everybody else, and still unknown to himself.
Francis Bacon
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"Surendra disse, então:
- Não gosto de pretos, Kindzu.
- Como? Então gosta de quem? Dos brancos?
- Também não.
- Já sei: gosta de indianos, gosta da sua raça.
- Não. Eu gosto de homens que não tem raça. É por isso que eu gosto de si, Kindzu."
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"Depois, minha mãe me fez um sinal para que eu me chegasse. Pegou-me no braço e baixou a minha mão sobre seu ventre.
- É o quê, mãe?
- É que estou grávida, maistravez.
A velha devaneava, sonhatriz. Com aquela idade como podia ela se duplicar? A voz dela, porém, trazia certezas capazes de me confundir.
- Estou grávida, filho. Não é de agora, é já de muito tempo.
- Muito tempo, quanto?
- São anos que guardo essa criança. Nem quero ela nascer nesse tempo. Fica assim dentro de mim, me companha o coração."
Mia Couto,
in Terra Sonâmbula
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" Whatever you do might be insignificant, but it is very important that you do it." - Mohandas Karamchand Gandhi
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"He can who thinks he can, and he can't who thinks he can't. This is an inexorable, indisputable law."
Pablo Picasso
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"If you're not failing every now and again, it's a sign you're not doing anything very innovative."
Woody Allen
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Success is a public affair. Failure is a private funeral.
Rosalind Russell
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the crocodile always gets the bigger piece
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Captain Mike: You can be as mad as a mad dog at the way things went. You could swear, curse the fates, but when it comes to the end, you have to let go.
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Benjamin Button: Our lives are defined by opportunities, even the ones we miss.
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Daisy: We all end up in diapers.
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Benjamin Button: Along the way you bump into people who make a dent on your life. Some people get struck by lightning. Some are born to sit by a river. Some have an ear for music. Some are artists. Some swim the English Channel. Some know buttons. Some know Shakespeare. Some are mothers. And some people can dance.
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