sábado, 20 de março de 2010

O RAMO ROUBADO

De noite iremos
roubar
um ramo florido.

Saltaremos o muro,
nas trevas do jardim alheio,
duas sombras na sombra.

Ainda não passou o inverno,
e a macieira aparece
subitamente transformada
em cascata de perfumadas estrelas.

De noite saltaremos
até ao seu trémulo firmamento,
e as tuas pequenas mãos e as minhas
roubarão as estrelas.

E em segredo,
na nossa casa,
na noite e na sombra,
entrará com os teus passos
o silencioso passo do perfume
e com pés siderais
o corpo claro da primavera.

Pablo Neruda,
in Poemas de Amor, tradução de Nuno Júdice, Dom Quixote, 2010

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