"Não é mortal quem morre, mas quem está certo de que vai morrer."
"Os verdadeiros viventes são só os mortais, porque sabemos que deixaremos de viver e que é exactamente nisso que a vida consiste."
"(...) a morte é o mais individualizador e ao mesmo tempo o mais igualitário: nesse momento crítico, ninguém é mais nem menos que ninguém, sobretudo ninguém pode ser outro em vez do que é. Ao morrer, cada um é definitivamente o próprio e mais ninguém. Do mesmo modo que ao nascer trazemos ao mundo aquele que nunca antes havia sido, ao morrer levamos o que nunca mais voltará a ser."
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"É um paradoxo que habitualmente chamemos "crentes" às pessoas de convicções religiosas, porque o que as caracteriza sobretudo, não é aquilo em que crêem (coisas misteriosamente vagas e muito diferentes) mas aquilo em que não acreditam: o mais óbvio, necessário e omnipresente, quer dizer, na morte. Os chamados "crentes" na realidade são os "incrédulos" que negam a realidade última, a morte. Talvez a forma mais cómoda de enfrentar essa inquietação -- sabemos que vamos morrer mas não podemos imaginar-nos realmente mortos."
"Querer saber, querer pensar, significa querer estar verdadeiramente vivo. Vivo face à morte, não entontecido e anestesiado à sua espera."
Fernando Savater,
in As Perguntas da Vida
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